(*) A regra número um para a insônia
é respirar pausadamente
mantendo o coração ritmado.
A regra número dois
É tentar mesmo esquecer.
Bem que tentou seguir as regras do poema, mas não conseguiu. No dia seguinte, acreditou no engodo do almoço. Sentaram-se frente a frente. Observava-se um discretíssimo brilho aquoso no canto dos seus olhos.
Ali se esqueceu rapidamente da vigília anterior, das injúrias e perjuras. Embora triste a expressão, tentava falar alegremente até que:
“Não vês que são lágrimas e não insônias que trago em meu olhar!” – foi preciso dizer diante de insensível observação ouvida.
Assim, o diálogo e o almoço encerravam-se sem um prólogo, índice, prefácio ou conclusão!
Levantou-se tendo por companhia a saudade e as dúvidas, guias até ali.
Seguiu com a única certeza possível: seus olhos amanheceriam mais uma vez com discretíssimo brilho aquoso.
(*) Jacinto Fabio Corrêa. Pedaços. O Parasempre da Hora - poema 19