Esteve toda a vida a margem do riacho murmurante e estreito de onde sabia tirar todo o seu contentamento.
Ao se deparar com o mar não sabia o que fazer. Deitou-se na areia. Deixou-se envolver pela espuma branca e efêmera das ondas como quem adorna-se com um colar de pérolas.
Mal respirava. Não conseguia entender toda aquela imensidão. Permitiu deixar-se tocar. Sem ação. Só pensamentos... e a angústia de não conseguir abraçar aquele mar.
Inerte estava, inerte e angustiado ficou. Naquele momento, preferia o riacho estreito, murmurante, conhecido e abraçável. A imensidão, entretanto, o fascinara.
A maré recuou e levou consigo as perólas. Com o corpo ainda colado areia entendeu naquele momento a imensidão do mar, a estreiteza do riacho e o vazio de si.
"Nem que eu bebesse o mar, encheria o que tenho de fundo"
Djavan
domingo, 29 de junho de 2008
sábado, 28 de junho de 2008
A certeza dos ossos

A única certeza que trago é o amontoado de pó que meus ossos se transformarão em algum dia. Mais do que isso são suposições de um xadrez jogado às escuras, cujas regras se modificam a cada lance.
Mórbido? O que é a morbidade senão a constação de um fato consumado ou que virá a ser consumado? Não há o que se temer da morte, mas sim o de não ter vivido. O pavor de descobrir que não se viveu deve ser tremendamente horrível.
Menos pior é saber que não está se vivendo. Nesse caso, o verbo no gerúndio pode salvar. O não estar "vivendo" encerra em si a possibilidade de começar a viver. O que te parece? Como saber? Só apelando para contabilidade... "Quantos minutos você já viveu?/Em todo esse tempo você cresceu?/Conte nos dedos quantos consolou?" Marielza Tiscate.
Escrevi tudo isso por puro desabafo. Exercito neste momento a minha contabilidade... mas nunca fui bom com números... ;)
segunda-feira, 31 de março de 2008
O milagre da chuva
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